A RESPONSABILIDADE PROFÉTICA E O COMPROMISO COM A JUSTIÇA, E A OPÇÃO PELOS MAIS NECESSITADOS,
DEIXAM CLARO QUE:
a..Está em pecado quem é indiferente diante da exploração dos pobres e do desrespeito à dignidade do outro (DAp 402,207
b. A opção pelos pobres exige uma crítica profética (estrutural), senão seria um estratagema para perpetuar a pobreza. (Paulo Suess, O Concilio Vaticano II, Julio 2011, pag 12-15)
c. Os sistemas marxista e capitalista falsificam o conceito da realidade amputando a realidade fundante (decisiva) que é Deus. (Idem)
A sociedade de consumo coloca a religião e até Deus em tudo que pode ajudar os negócios.
d. A reconciliação das classes sociais sem conversão, não constrói a paz. Os seguidores de Jesus, não somos juízes entre as partes, senão partidários; portanto advogados da justiça dos pobres (DAp 395)
e. Os pobres também podem ser infetados pelo vírus da alienação:
- por exigências do mercado.
- por acumulação do capital.
- por aceleração da produção de objetos descartáveis e supérfluos, pelos meios de
Comunicação.
- por aceitar políticas que oferecem compensações, ou medidas paliativas que escondem estruturas e causas do sistema perverso de exploração.
@ E DAÍ ?
A sociedade consumista é altamente individualista e irresponsável. A religiosidade neo-pentecostal se envereda, muitas vezes, por esse caminho. O poeta russo Maiakovski, conta-nos uma parábola, descrita em primeira pessoa:
- “Na primeira noite, se aproximaram e cortaram uma flor do nosso jardim.
Nada dissemos
Na segunda noite, não se esconderam, vieram e pisaram as flores, mataram o nosso cachorro.
Nada dissemos
Até que um dia, entraram na nossa casa, conhecendo o nosso medo, nos arrancaram a voz da garganta.
Como nada havíamos dito antes, já não pudemos dizer nada mais.
Então:
Primeiro levaram os negros.
Não me preocupei com isso. Não sou negro.
A seguir levaram alguns operários.
Não me preocupei. Também não sou operário.
Depois fizeram prisioneiros aos miseráveis.
Não me preocupei, porque não era miserável.
Em seguida agarraram uns desempregados,
Como tenho meu trabalho, não me preocupei.
Agora me levam a mim...
Mas já é tarde.
Como por ninguém me preocupei, também ninguém se importou comigo.
(O escritor Maiakovski, poeta russo, “suicidado” depois da revolução de Lenin)
+ QUE IGREJA AMAMOS?
-Poucas catedrais com cânticos e ouro, muitas capelas de barro e taboa.
-Poucos ricos acostumados à indiferença, muitos pobres especialistas em paixão compartilhada.
- Poucos letrados calculadores e prudentes, muitos simples que entendem de fé e esperança.
-Poucos doutores, muito seguros da sua doutrina, muitos testemunhos que escutam de verdade.
- Pouco poder de fariseus e sacerdotes de carreira, muito serviço humilde aos irmãos menores.
-Poucos projetos de dólares e marcos, muito em mutirão com suor e
cânticos
- Poucas cerimonias em palácios e quarteis, muitas festas em aldeias e bairros marginais
- Poucas bênçãos de armas, bancos e governos, muitas marchas de paz, justiça e liberdade.
- Pouco amor ao Deus do castigo e da morte, muito respeito ao Deus do amor e da vida.
- Pouco culto de costas ao povo, a Cristo Rei eterno nas alturas.
- Muito amor e seguimento a Jesus o de Maria, Companheiro, Profeta, Filho do Pai
- Pouco cada vez menos, muito, cada vez mais (Poesia de Ronaldo Muñoz)
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Pate VII. Justiça.Profecia.CEBs
OS ROMEIROS
As CEBs concretizam um novo estilo de romeiros.
1. Não ficam esperando: - Toda romaria é uma saída... da casa, do trabalho, deixando a casa, o ambiente dos amigos, do trabalho dos animais de estimação, até mesmo à família... fica tudo para trás esperando pelas bênçãos que se vai buscar e trazer.
2. Não se trata de ter alguém na CEB que tem um “carisma missionário”, mas toda ela um acontecimento missionário.
- Na tradição latino americana, os romeiros não vão sozinhos. Ir com os outros é parte integral da romaria, mas sem ser levado. Já se tomou a decisão de ir até o fim, é sujeito, sabe onde vai e por que vai... não é levado (a não ser pelo transporte coletivo).
Os membros das CEBs nunca vão sozinhos visitar as famílias. Não importa quem fala, é a expressão de uma comunidade que se manifesta por diferentes vozes (homem, mulher, jovem, adulto, idosos)
3.Os romeiros se ligam a símbolos que se levam ou que se visitam extasiados, são abundantes (os “ex-votos”, sementes, um pouco de terra, bandeiras, fotografias de acidentes, de pessoas doentes, até de funerais... As paradas previstas no caminho, os cânticos e orações tradicionais (cantadas, rezadas), a “caminhada” de joelhos... Não formam uma liturgia oficial, mas fazem parte da liturgia criadora da religiosidade popular. Os acontecimentos da vida são onde Deus se manifesta, são sua “Palavra” (O sagrado da vida).
+ As CEBs levam bandeiras, faixas com frases convocadoras, imagens dos mártires da caminhada, dos santos e santas nossos contemporâneos, e que na maioria dos casos não estão canonizados nem são da Igreja Católica.
4. A romaria tem também algo de penitencial, de oferecer o próprio sofrimento, agora sintetizado num caminha de joelhos, no cansaço da viagem, no incômodo das noites mal dormidas, etc.
+ As CEBs têm a incomodidade das esperas para falar com as autoridades, as greves de fome, as vigílias de serviço aos doentes...
5. - A militância das CEBs e a religiosidade popular católica que elas muitas vezes encarnam, têm muito de contemplação. Os romeiros, não discursivos, repetem tradições, dizem orações repetitivas, litânicas... não importam muito as palavras, mas sim o ritmo... porque não exige concentrar-se em pensamentos sistemáticos, mas deixam a mente aberta para focalizar-se na grandeza e bondade de Deus. A vida é entregada a Deus por meio dos santos. (Nas paroquias, muitas vezes as devoções oficiais não tocam a vida)
5. Os romeiros, na devoção ao crucificado, ao “Bom” Jesus, ao Senhor coroado de espinhos e ensanguentado, humilhado e torturado, encontram o sentido dos seus próprios sofrimentos e privações... também vivem humilhados, incapazes de ter uma vida humana, esmagados no sofrimento dos inocentes. Na devoção mariana, brota a ressurreição, a gloria, muitas vezes primeiro o planto e depois a alegria: “o Senhor é contigo”, bendito sois...
As CEBs não levantam a imagem de heróis de outros tempos, mas têm até as roupas com sangue dos seus mártires, as cruzes dos que foram caindo pelo caminho, sem ter voltado atrás.
6.- A romaria é chegar até onde está a graça de Deus, onde está concentrada a ajuda do santo... é CHEGAR AO ESPAÇO DA GRAÇA, DO PERDÃO, DA ESPERANÇA, a FONTE de VIDA. Chegar ao santo é como visitar um velho amigo, não um desconhecido.
+ O sagrado da comunidade é a sua rua, a sua praça, o seu transporte público, o local do trabalho, a terra que se está preparando para plantar ou a área da colheita... a prisão, o hospital, a sala de espera do atendimento de saúde...
7. - Ninguém vai ficar para sempre no santuário visitado.. Volta-se com o coração em festa... mas é bom levar uma recordação (laço de fita, fotografia, imagem...) não é só uma recordação, é quase um amuleto, um comprovante de que “o santo” ficou comprometido... há uma pertença de fé e um compromisso de atendimento divino que para sempre vai recair sobre o romeiro
+ O local da reunião da CEB é o ponto de encontra quando se volta da presença junto ao povo sofrido, é o espaço para a avaliação, ação de graças, pedidos por tudo que ainda falta fazer, onde se busca entre todos e com Deus, a força para perseverar, mesmo contra toda esperança.
8. Há também uma contra-partida da religiosidade tradicional católica:
Apela para mitos sobre o futuro de condenação e salvação, para manter a consciência dos fieis. O clero é aceito como uma autoridade sem discussão. As pessoas se tornam submissas às deliberações normativas (de fora do sujeito), sem questionamentos profundos.
Um setor da religiosidade tradicional se envereda pelo “carismatismo - pentecostalista de índole mais conservadora. Manifesta então uma efervescência religiosa com aparecimento de paganismos. Contentam-se com respostas imediatas. Há uma expressão livre de religiosidade, com autonomia do sujeito religioso. Negação da institucionalidade religiosa. Esconde-se o caráter ético e solidário do Evangelho”
As CEBs concretizam um novo estilo de romeiros.
1. Não ficam esperando: - Toda romaria é uma saída... da casa, do trabalho, deixando a casa, o ambiente dos amigos, do trabalho dos animais de estimação, até mesmo à família... fica tudo para trás esperando pelas bênçãos que se vai buscar e trazer.
2. Não se trata de ter alguém na CEB que tem um “carisma missionário”, mas toda ela um acontecimento missionário.
- Na tradição latino americana, os romeiros não vão sozinhos. Ir com os outros é parte integral da romaria, mas sem ser levado. Já se tomou a decisão de ir até o fim, é sujeito, sabe onde vai e por que vai... não é levado (a não ser pelo transporte coletivo).
Os membros das CEBs nunca vão sozinhos visitar as famílias. Não importa quem fala, é a expressão de uma comunidade que se manifesta por diferentes vozes (homem, mulher, jovem, adulto, idosos)
3.Os romeiros se ligam a símbolos que se levam ou que se visitam extasiados, são abundantes (os “ex-votos”, sementes, um pouco de terra, bandeiras, fotografias de acidentes, de pessoas doentes, até de funerais... As paradas previstas no caminho, os cânticos e orações tradicionais (cantadas, rezadas), a “caminhada” de joelhos... Não formam uma liturgia oficial, mas fazem parte da liturgia criadora da religiosidade popular. Os acontecimentos da vida são onde Deus se manifesta, são sua “Palavra” (O sagrado da vida).
+ As CEBs levam bandeiras, faixas com frases convocadoras, imagens dos mártires da caminhada, dos santos e santas nossos contemporâneos, e que na maioria dos casos não estão canonizados nem são da Igreja Católica.
4. A romaria tem também algo de penitencial, de oferecer o próprio sofrimento, agora sintetizado num caminha de joelhos, no cansaço da viagem, no incômodo das noites mal dormidas, etc.
+ As CEBs têm a incomodidade das esperas para falar com as autoridades, as greves de fome, as vigílias de serviço aos doentes...
5. - A militância das CEBs e a religiosidade popular católica que elas muitas vezes encarnam, têm muito de contemplação. Os romeiros, não discursivos, repetem tradições, dizem orações repetitivas, litânicas... não importam muito as palavras, mas sim o ritmo... porque não exige concentrar-se em pensamentos sistemáticos, mas deixam a mente aberta para focalizar-se na grandeza e bondade de Deus. A vida é entregada a Deus por meio dos santos. (Nas paroquias, muitas vezes as devoções oficiais não tocam a vida)
5. Os romeiros, na devoção ao crucificado, ao “Bom” Jesus, ao Senhor coroado de espinhos e ensanguentado, humilhado e torturado, encontram o sentido dos seus próprios sofrimentos e privações... também vivem humilhados, incapazes de ter uma vida humana, esmagados no sofrimento dos inocentes. Na devoção mariana, brota a ressurreição, a gloria, muitas vezes primeiro o planto e depois a alegria: “o Senhor é contigo”, bendito sois...
As CEBs não levantam a imagem de heróis de outros tempos, mas têm até as roupas com sangue dos seus mártires, as cruzes dos que foram caindo pelo caminho, sem ter voltado atrás.
6.- A romaria é chegar até onde está a graça de Deus, onde está concentrada a ajuda do santo... é CHEGAR AO ESPAÇO DA GRAÇA, DO PERDÃO, DA ESPERANÇA, a FONTE de VIDA. Chegar ao santo é como visitar um velho amigo, não um desconhecido.
+ O sagrado da comunidade é a sua rua, a sua praça, o seu transporte público, o local do trabalho, a terra que se está preparando para plantar ou a área da colheita... a prisão, o hospital, a sala de espera do atendimento de saúde...
7. - Ninguém vai ficar para sempre no santuário visitado.. Volta-se com o coração em festa... mas é bom levar uma recordação (laço de fita, fotografia, imagem...) não é só uma recordação, é quase um amuleto, um comprovante de que “o santo” ficou comprometido... há uma pertença de fé e um compromisso de atendimento divino que para sempre vai recair sobre o romeiro
+ O local da reunião da CEB é o ponto de encontra quando se volta da presença junto ao povo sofrido, é o espaço para a avaliação, ação de graças, pedidos por tudo que ainda falta fazer, onde se busca entre todos e com Deus, a força para perseverar, mesmo contra toda esperança.
8. Há também uma contra-partida da religiosidade tradicional católica:
Apela para mitos sobre o futuro de condenação e salvação, para manter a consciência dos fieis. O clero é aceito como uma autoridade sem discussão. As pessoas se tornam submissas às deliberações normativas (de fora do sujeito), sem questionamentos profundos.
Um setor da religiosidade tradicional se envereda pelo “carismatismo - pentecostalista de índole mais conservadora. Manifesta então uma efervescência religiosa com aparecimento de paganismos. Contentam-se com respostas imediatas. Há uma expressão livre de religiosidade, com autonomia do sujeito religioso. Negação da institucionalidade religiosa. Esconde-se o caráter ético e solidário do Evangelho”
VI Parte. Justiça.Profecia.CEBs
PROFETICAS
Nas CEBs e por elas, a Igreja da América Latina e do Caribe, explicita sua vocação e responsabilidade missionaria (Romeiras) em função do Reinado de Deus. Essa dimensão vem precedida de UM ACONTECIMENTO PROFÉTICO, que é a proclamação do juízo de Deus sobre as situações e realidades humanas de gente que sofrem, dos que lutam por um mundo diferente, segundo o coração de Deus. Esse profetismo clama pela justiça, pela mudança de estruturas econômicas, politicas, culturais, na área da informática, lazer, saúde, religioso. Propõe conversão de pessoas, grupos, sociedade.
Os cristãos das CEBs, estão, cotidianamente lado a lado com os companheiros de trabalho, de vizinhança, de estudo, muitas vezes de infortúnio ... Conhecem por experiência direta os sofrimentos do povo, suas aspirações e possibilidades, assim como seus defeitos.
O Vaticano II se propôs falar sobre justiça e responsabilidade social, em nome de Deus, a toda gente de boa vontade e não só aos seus próprios fiéis. Fundamentando-se diretamente no ministério de Jesus e na Patrística, se foi liberando do modelo eclesial da Idade Média e desenvolveu um novo modelo eclesial que entende a Deus como comprometido com todos e não somente com os da Igreja católica. Colocou assim um ponto final na mentalidade da contra-reforma (apologética e doutrinal). As outras tradições religiosas não seriam necessariamente inimigas, mas possíveis aliadas. Todo ser humano é capaz de amar a verdade, a justiça e a paz.
VI – MISSIONÁRIAS
O “relançamento” das CEBs vai tomar um estilo de Romaria significando :
não apenas um evento raro e ocasional da vida na Igreja, mas sim o estilo de ser a comunidade de Jesus. É o seu dinamismo missionário, itinerante. Trata-se de uma força interior, que não permite ficar “esperando por”, mas que impele a ir ao “encontro de”
uma atitude em nome e por força da comunidade de Jesus. Um acontecimento de salvação. Todo encontro de misericórdia é teológico e salvador... mais para quem o dá do que para quem o recebe.
Deslocar-se em função de uma meta. Não ficar a meio caminho. O seu objetivo, ainda quando não foi alcançado já é misteriosamente efetivo e começa acontecer no próprio processo de provocar o deslocamento missionário da Igreja.
Caminhar e chegar efetivamente às suas metas. Por isso não deve sobrecarregar-se com pesos secundários. A regra missionaria é de aligeirar-se em relação às estruturas e ganhar agilidade missionaria. Ser tenda e não casa se cimento.
Recolocar o sagrado na vida e não só no templo. Tem consciência de que Jesus não pediu adoração, mas seguimento. Não enviou à sacristia mas aos confins da terra.
Não considerar a missão como um evento esporádico, mas como a forma de toda a Igreja ser. É a colaboração com a ação do Espírito, descobrindo o que Ele já esta fazendo, identificando onde se encontram as “sementes do Verbo”, nas situações e indivíduos, as chamadas “preparações evangélicas”
Nas CEBs e por elas, a Igreja da América Latina e do Caribe, explicita sua vocação e responsabilidade missionaria (Romeiras) em função do Reinado de Deus. Essa dimensão vem precedida de UM ACONTECIMENTO PROFÉTICO, que é a proclamação do juízo de Deus sobre as situações e realidades humanas de gente que sofrem, dos que lutam por um mundo diferente, segundo o coração de Deus. Esse profetismo clama pela justiça, pela mudança de estruturas econômicas, politicas, culturais, na área da informática, lazer, saúde, religioso. Propõe conversão de pessoas, grupos, sociedade.
Os cristãos das CEBs, estão, cotidianamente lado a lado com os companheiros de trabalho, de vizinhança, de estudo, muitas vezes de infortúnio ... Conhecem por experiência direta os sofrimentos do povo, suas aspirações e possibilidades, assim como seus defeitos.
O Vaticano II se propôs falar sobre justiça e responsabilidade social, em nome de Deus, a toda gente de boa vontade e não só aos seus próprios fiéis. Fundamentando-se diretamente no ministério de Jesus e na Patrística, se foi liberando do modelo eclesial da Idade Média e desenvolveu um novo modelo eclesial que entende a Deus como comprometido com todos e não somente com os da Igreja católica. Colocou assim um ponto final na mentalidade da contra-reforma (apologética e doutrinal). As outras tradições religiosas não seriam necessariamente inimigas, mas possíveis aliadas. Todo ser humano é capaz de amar a verdade, a justiça e a paz.
VI – MISSIONÁRIAS
O “relançamento” das CEBs vai tomar um estilo de Romaria significando :
não apenas um evento raro e ocasional da vida na Igreja, mas sim o estilo de ser a comunidade de Jesus. É o seu dinamismo missionário, itinerante. Trata-se de uma força interior, que não permite ficar “esperando por”, mas que impele a ir ao “encontro de”
uma atitude em nome e por força da comunidade de Jesus. Um acontecimento de salvação. Todo encontro de misericórdia é teológico e salvador... mais para quem o dá do que para quem o recebe.
Deslocar-se em função de uma meta. Não ficar a meio caminho. O seu objetivo, ainda quando não foi alcançado já é misteriosamente efetivo e começa acontecer no próprio processo de provocar o deslocamento missionário da Igreja.
Caminhar e chegar efetivamente às suas metas. Por isso não deve sobrecarregar-se com pesos secundários. A regra missionaria é de aligeirar-se em relação às estruturas e ganhar agilidade missionaria. Ser tenda e não casa se cimento.
Recolocar o sagrado na vida e não só no templo. Tem consciência de que Jesus não pediu adoração, mas seguimento. Não enviou à sacristia mas aos confins da terra.
Não considerar a missão como um evento esporádico, mas como a forma de toda a Igreja ser. É a colaboração com a ação do Espírito, descobrindo o que Ele já esta fazendo, identificando onde se encontram as “sementes do Verbo”, nas situações e indivíduos, as chamadas “preparações evangélicas”
V Parte- Justiça.Profecia.CEBs
AS CEBS
+ As CEBs na América Latina surgem orientadas diretamente pela experiência das primeiras comunidades cristãs do Novo Testamento, como aparece no livro dos Atos e nas Cartas dos Apóstolos. Elas estão diretamente influencias pelo elã do Concilio, particularmente de Lumen Gentium n.26) e de Gaudium et Spes.
Sua proposta é a de reconstruir a instancia de base da Igreja (CEBs); usando um método de grande capacidade conscientizadora y militante: ver, pensar, agir, avaliar, celebrar constantemente e como comunidade. Não se ocupa unicamente dos efeitos, mas se propõe chegar às causas converter os agentes do mal, eliminar as estruturas desumanas, o pecado estrutural, confrontar as ideologias.
+ A dimensão de profecia e de justiça brotaram na lógica da Igreja do Vaticano II ; no texto de Medellín e da sua perspectiva de compromisso com os mais necessitados; assim como pelo que surgiu fortemente nas encíclicas Mater et Magistra, Populorum Progressio, Pacem in Terris.
- Son el relanzamiento de la Iglesia - en la integridad de su primera instancia bíblica, teológica, pastoral - en un lugar, pueblo y cultura. Aún no siendo una fotocopia, es lo mismo que aconteció con las comunidades del Nuevo Testamento, fundadas por los primeros seguidores de Jesús.
+ São comunidades, não mera estrutura, que congregam os discípulos/as de Jesus, em função de uma ação e estilo de convivência. O termo Comunidade, nas CEBS, é o equivalente a “koinonia”. Quer dizer que a CEB encarna e manifesta a essência do mistério da Igreja, fruto e comunicação do amor do Pai-Filho e Espírito (Ro 5,5). A raiz desta comunhão nasce de Deus e não dos membros da comunidade. Trata-se de um dom batismal-eucarítico-missionario, orientado ao serviço da humanidade toda, mas principalmente dos mais vulneráveis e necessitados.
+ São eclesiais, por sua identidade de acontecimento comunitário e missionário, fermento e primícias do reinado de Deus. Constituem a instancia de base do Povo de Deus . São comunidades missionárias e missão comunitária – da Galileia aos confins da terra, Igreja samaritana, ao lado dos “últimos”, dos mais sofridos, para que sejam sujeitos do novo mundo possível.
+ São “de base”, porque possuem o básico, o essencial de ser Igreja. Como um embrião contem todo o ser humano que vai se desenvolver. Base, neste caso não significa apenas o que é “pequeno” (pouca gente). É, com e por Jesus, e como Ele, a pedra angular da união com Deus e das pessoas entre elas (LG 1).
Existem ainda um sentido bíblico – significa partir dos pobres; e um sentido pedagógico: desde baixo, partindo das pessoas comuns, não unicamente das lideranças
As CEBs são ainda e ao mesmo tempo: nível, modelo, processo, kairos, paradigma sacramental da Igreja em diáspora. Pertencem à sua natureza sacramental (LG 1)
+ Como NIVEL eclesial, são a menor instância oficial da igreja. São, segundo o livro dos Atos e também Paulo, a Igreja da casa
+ Como MODELO, se configuram segundo as inspirações das primeiras comunidades do Novo Testamento (o mais antigo da Igreja); e seguem as linhas mestras do Vaticano II e as prioridades das Conferencias Gerais da América Latina e Caribe (o mais recente da Igreja e das realidades culturais + + Como PROCESO, as CEBs são a Igreja em pequeno. São como um embrião que ainda não desenvolveu todas e cada uma das suas potencialidades de pessoa humana. Com a força do Espirito progressivamente vão desenvolvendo o que é próprio da sua natureza.
+ Como KAIROS (acontecimento oportuno): são apresentadas pelos bispos como um “kairos” na Igreja (cf. 4ª Redação da Aparecida) : “Enraizadas no coração do mundo, são espaços privilegiados para a vivência comunitária da fé, mananciais de fraternidade e de solidariedade, alternativa para a sociedade atual fundada no egoísmo e na competência impiedosa” (DAp 193). E ainda: “As Comunidades Eclesiais de Base, em comunhão com seu bispo e o projeto de pastoral diocesana, são um sinal de vitalidade na Igreja, instrumento de formação e de evangelização, e um ponto de partida válido para a Missão Continental permanente” (DAp 195)
+ Como PARADIGMA, segundo o documento da Assembleia de Aparecida, no número 178 (DAp), são o mais antigo da Igreja, a inspiração das Primeiras Comunidades do Novo Testamento. Ao mesmo tempo, presentam o mais novo, quer dizer, as orientações do Vaticano II e das Assembleias Gerais da América Latina e do Caribe.
As CEBs estiveram assumindo, no seu nível, o que estava menos trabalhado na vida paroquial como: a relação entre fé e vida, o compromisso cidadão, a referência da Palavra Orante, a perspectiva do Reino e do Novo Povo de Deus, a enculturação, o ser um espaço de misericórdia e de acolhida a todos para uma vivência com relações evangélicas, também para os que não “cabem” na estrutura disciplinar da paróquia (por exemplo: os que vivem em uma situação matrimonial “irregular”,etc).
Nos números 179 e 180 (DAp) se apresenta um Quadro de Referência para os diversos níveis eclesiais: de base, paroquial e diocesano.
+ Como comunidade em DIÁSPORA, as CEBs expressam uma Igreja em diáspora (dirigindo-se ao “pátio dos gentios”, para usar a expressão do então teólogo José Ratzinger), uma Igreja Cristocêntrica, ecumênica, de minoria sem complexo de maioria, dialogante, participativa, Eucarística, martirial, com um mínimo de estruturas e máximo de vida, não atolada nas observâncias farisaicas, agindo com autonomia e comunhão, agarrada à Palavra de Deus, no dinamismo do mistério pascoal. Igreja orientada ao mundo (ecologia, cidadania) e não à sacristia. As CEBs se orientam aos que se encontram mais afastados dela. Partem da referência do Reino para chegar ao eclesial. A paroquia, ao contrario, em razão das suas estruturas, parte do eclesial para chegar ao Reino. O que vem acontecendo na prática pastoral é que, em geral, as CEBs, partindo da referência do Reino, chegam às expressões eclesiais, mas as paróquias, permanecendo no estritamente eclesial, muitas vezes não chegam a ser primícias do Reino.
Lo que viene pasando en la práctica pastoral es que, por lo general, las CEBs. desde el Reino llegan a lo eclesial, pero la Parroquia desde lo eclesial muchas veces no llega a ser primicia del Reino.
+ As CEBs na América Latina surgem orientadas diretamente pela experiência das primeiras comunidades cristãs do Novo Testamento, como aparece no livro dos Atos e nas Cartas dos Apóstolos. Elas estão diretamente influencias pelo elã do Concilio, particularmente de Lumen Gentium n.26) e de Gaudium et Spes.
Sua proposta é a de reconstruir a instancia de base da Igreja (CEBs); usando um método de grande capacidade conscientizadora y militante: ver, pensar, agir, avaliar, celebrar constantemente e como comunidade. Não se ocupa unicamente dos efeitos, mas se propõe chegar às causas converter os agentes do mal, eliminar as estruturas desumanas, o pecado estrutural, confrontar as ideologias.
+ A dimensão de profecia e de justiça brotaram na lógica da Igreja do Vaticano II ; no texto de Medellín e da sua perspectiva de compromisso com os mais necessitados; assim como pelo que surgiu fortemente nas encíclicas Mater et Magistra, Populorum Progressio, Pacem in Terris.
- Son el relanzamiento de la Iglesia - en la integridad de su primera instancia bíblica, teológica, pastoral - en un lugar, pueblo y cultura. Aún no siendo una fotocopia, es lo mismo que aconteció con las comunidades del Nuevo Testamento, fundadas por los primeros seguidores de Jesús.
+ São comunidades, não mera estrutura, que congregam os discípulos/as de Jesus, em função de uma ação e estilo de convivência. O termo Comunidade, nas CEBS, é o equivalente a “koinonia”. Quer dizer que a CEB encarna e manifesta a essência do mistério da Igreja, fruto e comunicação do amor do Pai-Filho e Espírito (Ro 5,5). A raiz desta comunhão nasce de Deus e não dos membros da comunidade. Trata-se de um dom batismal-eucarítico-missionario, orientado ao serviço da humanidade toda, mas principalmente dos mais vulneráveis e necessitados.
+ São eclesiais, por sua identidade de acontecimento comunitário e missionário, fermento e primícias do reinado de Deus. Constituem a instancia de base do Povo de Deus . São comunidades missionárias e missão comunitária – da Galileia aos confins da terra, Igreja samaritana, ao lado dos “últimos”, dos mais sofridos, para que sejam sujeitos do novo mundo possível.
+ São “de base”, porque possuem o básico, o essencial de ser Igreja. Como um embrião contem todo o ser humano que vai se desenvolver. Base, neste caso não significa apenas o que é “pequeno” (pouca gente). É, com e por Jesus, e como Ele, a pedra angular da união com Deus e das pessoas entre elas (LG 1).
Existem ainda um sentido bíblico – significa partir dos pobres; e um sentido pedagógico: desde baixo, partindo das pessoas comuns, não unicamente das lideranças
As CEBs são ainda e ao mesmo tempo: nível, modelo, processo, kairos, paradigma sacramental da Igreja em diáspora. Pertencem à sua natureza sacramental (LG 1)
+ Como NIVEL eclesial, são a menor instância oficial da igreja. São, segundo o livro dos Atos e também Paulo, a Igreja da casa
+ Como MODELO, se configuram segundo as inspirações das primeiras comunidades do Novo Testamento (o mais antigo da Igreja); e seguem as linhas mestras do Vaticano II e as prioridades das Conferencias Gerais da América Latina e Caribe (o mais recente da Igreja e das realidades culturais + + Como PROCESO, as CEBs são a Igreja em pequeno. São como um embrião que ainda não desenvolveu todas e cada uma das suas potencialidades de pessoa humana. Com a força do Espirito progressivamente vão desenvolvendo o que é próprio da sua natureza.
+ Como KAIROS (acontecimento oportuno): são apresentadas pelos bispos como um “kairos” na Igreja (cf. 4ª Redação da Aparecida) : “Enraizadas no coração do mundo, são espaços privilegiados para a vivência comunitária da fé, mananciais de fraternidade e de solidariedade, alternativa para a sociedade atual fundada no egoísmo e na competência impiedosa” (DAp 193). E ainda: “As Comunidades Eclesiais de Base, em comunhão com seu bispo e o projeto de pastoral diocesana, são um sinal de vitalidade na Igreja, instrumento de formação e de evangelização, e um ponto de partida válido para a Missão Continental permanente” (DAp 195)
+ Como PARADIGMA, segundo o documento da Assembleia de Aparecida, no número 178 (DAp), são o mais antigo da Igreja, a inspiração das Primeiras Comunidades do Novo Testamento. Ao mesmo tempo, presentam o mais novo, quer dizer, as orientações do Vaticano II e das Assembleias Gerais da América Latina e do Caribe.
As CEBs estiveram assumindo, no seu nível, o que estava menos trabalhado na vida paroquial como: a relação entre fé e vida, o compromisso cidadão, a referência da Palavra Orante, a perspectiva do Reino e do Novo Povo de Deus, a enculturação, o ser um espaço de misericórdia e de acolhida a todos para uma vivência com relações evangélicas, também para os que não “cabem” na estrutura disciplinar da paróquia (por exemplo: os que vivem em uma situação matrimonial “irregular”,etc).
Nos números 179 e 180 (DAp) se apresenta um Quadro de Referência para os diversos níveis eclesiais: de base, paroquial e diocesano.
+ Como comunidade em DIÁSPORA, as CEBs expressam uma Igreja em diáspora (dirigindo-se ao “pátio dos gentios”, para usar a expressão do então teólogo José Ratzinger), uma Igreja Cristocêntrica, ecumênica, de minoria sem complexo de maioria, dialogante, participativa, Eucarística, martirial, com um mínimo de estruturas e máximo de vida, não atolada nas observâncias farisaicas, agindo com autonomia e comunhão, agarrada à Palavra de Deus, no dinamismo do mistério pascoal. Igreja orientada ao mundo (ecologia, cidadania) e não à sacristia. As CEBs se orientam aos que se encontram mais afastados dela. Partem da referência do Reino para chegar ao eclesial. A paroquia, ao contrario, em razão das suas estruturas, parte do eclesial para chegar ao Reino. O que vem acontecendo na prática pastoral é que, em geral, as CEBs, partindo da referência do Reino, chegam às expressões eclesiais, mas as paróquias, permanecendo no estritamente eclesial, muitas vezes não chegam a ser primícias do Reino.
Lo que viene pasando en la práctica pastoral es que, por lo general, las CEBs. desde el Reino llegan a lo eclesial, pero la Parroquia desde lo eclesial muchas veces no llega a ser primicia del Reino.
IV parte.Justiça.Profecia.Cebs
OS POBRES
O “lugar” marcado por Jesus, para o encontro com ele (Mt 25,39) é ao lado dos que sofrem, os desprezados, os pobres
Jesus oferece lugar aqueles que não o tem na convivência humana.
acolhe aos que não são acolhidos:
aos imorais, prostitutas e pecadores.
(Mt. 21,31-32; lc.7,37-50; Jo.8,2-11)
aos hereges, pagãos, samaritanos.
Lc.7,210;17,16; Mc.7,24-30; Jo.4,7-42;)
aos impuros, leprosos e possessos.
(Mt.8,2-4; lc.17,12-14;11,14-22; Mc.1,25-26.41-44).
aos marginalizados: mulheres, crianças, doentes
de todo tipo: (Mc.1,32-34; Mt.8,17,19,13-15; Lc.8,1-3);
aos sem poder: (Mt.5,3; Lc.6,20.24; Mt.11,25-26)
Apoiando-se no Concilio, Medellín especifica a realidade do Povo de Deus: Coloca a Igreja comprometida com as maiorias latino americanas. O povo que sofre, olha a Igreja de Deus confiando que dela pode vir orientação e ajuda de salvação. Por sua parte, a Igreja se alinha com os que sofrem e se propõe ser voz dos sem voz e dos que foram silenciados. A originalidade buscada nas CEBs é fazê-los sujeitos, dizer sua própria palavra na Igreja e na sociedade. Isto já foi assumido no caminhar das CEBs mas continua sendo um desafio..
Como Jesus, sua comunidade está do lado dos últimos, para que ninguém fique esquecido. Não se trata de perpetuar a pobreza, nem de proclamar que ela é boa. Mas sim de acabar com ela. Não é Deus que cria pobres, é a sociedade humana que os produz e perpetua. Nunca os considera melhores do que os ricos, mas sim, mais necessitados que eles. Não os toma como objeto da atenção benigna dos mais favorecidos pelos bens humanos, mas sim como sujeitos potenciais de uma nova sociedade de justiça e fraternidade.
Esta não é uma atitude assistencialista .Nem algo reduzido ao promocional . É uma proposta libertadora, que é global, visa mudar a mentalidade, o coração, as atitudes, as estruturas e gera outro modelo de sociedade..
A opção pelos pobres não é um golpe de publicidade gratuito e fácil. Implica conversão pessoal, comunitária, estrutural, ideológica, espiritual.
Exige, em relação à realidade de sofrimentos, de pobreza, de humilhação, das pessoas humanas (não só dos cristãos ou co-nacionais), exige contato direto e relações humanas, não só de maneira episódica, senão como o modo de ser de uma sociedade sem discriminações e realmente fraterna. Por isso mesmo, o pobre, não poderá ser usado como objeto de curiosidade, nem deverá permanecer como destinatário passivo da caridade “benemérita” dos privilegiados da vida. Trata-se de uma questão de justiça e não de assistencialismo. Faltar à justiça é romper a aliança com Deus. Comprometer-se com os necessitados é procurar fazê-los sujeitos da sua própria libertação. Antes de receber esmolas, o pobre necessita e tem direito à dignidade. O que se lhe deve não é por caridade, senão por justiça.
O “lugar” marcado por Jesus, para o encontro com ele (Mt 25,39) é ao lado dos que sofrem, os desprezados, os pobres
Jesus oferece lugar aqueles que não o tem na convivência humana.
acolhe aos que não são acolhidos:
aos imorais, prostitutas e pecadores.
(Mt. 21,31-32; lc.7,37-50; Jo.8,2-11)
aos hereges, pagãos, samaritanos.
Lc.7,210;17,16; Mc.7,24-30; Jo.4,7-42;)
aos impuros, leprosos e possessos.
(Mt.8,2-4; lc.17,12-14;11,14-22; Mc.1,25-26.41-44).
aos marginalizados: mulheres, crianças, doentes
de todo tipo: (Mc.1,32-34; Mt.8,17,19,13-15; Lc.8,1-3);
aos sem poder: (Mt.5,3; Lc.6,20.24; Mt.11,25-26)
Apoiando-se no Concilio, Medellín especifica a realidade do Povo de Deus: Coloca a Igreja comprometida com as maiorias latino americanas. O povo que sofre, olha a Igreja de Deus confiando que dela pode vir orientação e ajuda de salvação. Por sua parte, a Igreja se alinha com os que sofrem e se propõe ser voz dos sem voz e dos que foram silenciados. A originalidade buscada nas CEBs é fazê-los sujeitos, dizer sua própria palavra na Igreja e na sociedade. Isto já foi assumido no caminhar das CEBs mas continua sendo um desafio..
Como Jesus, sua comunidade está do lado dos últimos, para que ninguém fique esquecido. Não se trata de perpetuar a pobreza, nem de proclamar que ela é boa. Mas sim de acabar com ela. Não é Deus que cria pobres, é a sociedade humana que os produz e perpetua. Nunca os considera melhores do que os ricos, mas sim, mais necessitados que eles. Não os toma como objeto da atenção benigna dos mais favorecidos pelos bens humanos, mas sim como sujeitos potenciais de uma nova sociedade de justiça e fraternidade.
Esta não é uma atitude assistencialista .Nem algo reduzido ao promocional . É uma proposta libertadora, que é global, visa mudar a mentalidade, o coração, as atitudes, as estruturas e gera outro modelo de sociedade..
A opção pelos pobres não é um golpe de publicidade gratuito e fácil. Implica conversão pessoal, comunitária, estrutural, ideológica, espiritual.
Exige, em relação à realidade de sofrimentos, de pobreza, de humilhação, das pessoas humanas (não só dos cristãos ou co-nacionais), exige contato direto e relações humanas, não só de maneira episódica, senão como o modo de ser de uma sociedade sem discriminações e realmente fraterna. Por isso mesmo, o pobre, não poderá ser usado como objeto de curiosidade, nem deverá permanecer como destinatário passivo da caridade “benemérita” dos privilegiados da vida. Trata-se de uma questão de justiça e não de assistencialismo. Faltar à justiça é romper a aliança com Deus. Comprometer-se com os necessitados é procurar fazê-los sujeitos da sua própria libertação. Antes de receber esmolas, o pobre necessita e tem direito à dignidade. O que se lhe deve não é por caridade, senão por justiça.
III Parte-Justiça.Profecia.CEBs
O POVO DE DEUS
O Concilio Vaticano II proclama: - “Aprouve a Deus salvar e santificar as pessoas, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles e elas, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente” LG 9
- “Esta nova aliança instituiu-a Cristo... (cfr. 1 Cor. 11,25), chamando-a de Seu povo (judeus e gentios). Formam um todo, não segundo a carne mas no Espírito e tornam-se o Povo de Deus. (LG 9).
- A primeira carta de Pedro também o diz: – Vos sois a gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa, o povo que ele conquistou, a fim de que proclameis os grandes feitos daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.. Vos sois aqueles que antes não eram povo, agora porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram misericórdia (1 Pd 2,9).
- O Concilio expressa o básico da sua visão da Igreja, como Povo de Deus, no conjunto da constituição LG e dentro dela, no capítulo II. Esse capítulo foi colocado, de propósito, antes do capítulo sobre a Hierarquia (Teologicamente dizemos: a koinonia, isto é, a comunidade dos fieis, precede à diakonia (os ministérios, também os ministérios ordenados de bispo, presbítero, diáconos). Esta categoria do Povo de Deus não é uma volta ao Antigo Testamento, nem é para suscitar perspectivas políticas, partidárias e coletivistas...
O Povo de Deus não se esgota numa etnia, numa época histórica, nem no chamado povo escolhido (Povo Hebreu, do Velho Testamento) nem na Igreja.
É um povo profético, que explicita, recolhe, divulga, os momentos salvadores das ações de Deus na historia. Interpreta os acontecimentos na coerência dos desígnios divinos. É um povo sacerdotal, que consagra as realidades vitais, responde a Deus, agradece, louva, pede ajuda divina. É um povo real, que preside responsavelmente a criação, ligando tudo com a missão de Jesus (Tudo é vosso, vos sois de Cristo, Cristo é de Deus 1Cor. 3,21-23 e “quando tudo houver sido submetido a Ele, Deus será tudo em todos”, 1 Cor 15,28)
É da nossa fé afirmar que cada ser humano que vem a este mundo está vocacionado a ser Povo de Deus. Não vem para uma aventura individual, senão comunitária (LG 9... Deus salva como Povo), no mesmo dinamismo das pessoas da Trindade Santa. Unidade sem uniformidade. Diferenças sem dependências de inferioridade.
É um Povo exuberante nas suas diversidades de dons recebidos (LG 12), conquistas, criatividades e diferentes maneiras de seguir as inspirações divinas. Esse pluralismo, não divide, mas enriquece a comunidade. As diferenças não são ameaças, senão graças. “A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos (! Cor 12,7). Os dons devem ser discernidos e integrados na missão do conjunto eclesial. É o que entendemos pela comunhão peregrinante dos santos, em caminho.
O Povo de Deus é peregrino. Completa seus conhecimentos no próprio exercício da sua missão. Purifica-se aprendendo de seus próprios erros.
Essa comunidade já não se apresenta como Sociedade Perfeita (nunca o fomos). É um povo que caminha. Juntos caminhando, descobrem que o Senhor está também nesse mesmo caminhar.
+ O Concilio foi um divisor de águas. Saiu da mentalidade pastoral da Idade Média, e configura um modelo eclesial diferente: Em vez de patriarcal, machista, rural, piramidal, centralizador, clerical, monárquico, devocional, sacramentalista.. é um modelo de diáspora (pátio dos gentios), participativo, missionário, tendo os pobres como sujeitos, é pluralista, missionário e age como fermento no meio da massa, não fora dela.
+ Também as cEBs são um lugar privilegiado para recuperar-se o sentido de ser Povo de Deus, primeiro porque nelas se aprende a metodologia de ver, pensar, agir, avaliar, celebrar, como comunidade e constantemente.
As cEBs só sobrevivem na sua força evangélica, se estão enraizadas na Palavra de Deus e em contato direto com as pessoas, criando condições para que não existam processos “bancários” (no sentido de Freire, os que sabem e fazem discursos e os que não sabem e só escutam), mas todos são sujeitos.
1. Aqui vão 15 pensamentos de Freire: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, as pessoas se educam entre si, mediatizados pelo mundo.
2. Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos.
3. É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.
4. Mudar é difícil, mas é possível.
5. Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.
6. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.
7. Não é possível revisar um país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor.
8. Educar e educar-se, na prática da liberdade.
9. O mundo não é, o mundo está sendo.
Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero.
10. Continuamos aprendendo durante toda a vida. Somos seres inacabados.
11. Aprender não é acumular conhecimentos, é aprender a pensar a realidade e transformá-la.
12. É cada sujeito que aprende, não o coletivo.
13. .O aprendiz tem que ter auto-estima, senão não aprende.
14. .A essência da ética do mercado (neo- liberal) é para que as pessoas deixem de sonhar... – Só este mundo é possível!
15. .A educação é política. Relativiza o mundo e as estruturas existentes.
O Concilio Vaticano II proclama: - “Aprouve a Deus salvar e santificar as pessoas, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles e elas, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente” LG 9
- “Esta nova aliança instituiu-a Cristo... (cfr. 1 Cor. 11,25), chamando-a de Seu povo (judeus e gentios). Formam um todo, não segundo a carne mas no Espírito e tornam-se o Povo de Deus. (LG 9).
- A primeira carta de Pedro também o diz: – Vos sois a gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa, o povo que ele conquistou, a fim de que proclameis os grandes feitos daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.. Vos sois aqueles que antes não eram povo, agora porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram misericórdia (1 Pd 2,9).
- O Concilio expressa o básico da sua visão da Igreja, como Povo de Deus, no conjunto da constituição LG e dentro dela, no capítulo II. Esse capítulo foi colocado, de propósito, antes do capítulo sobre a Hierarquia (Teologicamente dizemos: a koinonia, isto é, a comunidade dos fieis, precede à diakonia (os ministérios, também os ministérios ordenados de bispo, presbítero, diáconos). Esta categoria do Povo de Deus não é uma volta ao Antigo Testamento, nem é para suscitar perspectivas políticas, partidárias e coletivistas...
O Povo de Deus não se esgota numa etnia, numa época histórica, nem no chamado povo escolhido (Povo Hebreu, do Velho Testamento) nem na Igreja.
É um povo profético, que explicita, recolhe, divulga, os momentos salvadores das ações de Deus na historia. Interpreta os acontecimentos na coerência dos desígnios divinos. É um povo sacerdotal, que consagra as realidades vitais, responde a Deus, agradece, louva, pede ajuda divina. É um povo real, que preside responsavelmente a criação, ligando tudo com a missão de Jesus (Tudo é vosso, vos sois de Cristo, Cristo é de Deus 1Cor. 3,21-23 e “quando tudo houver sido submetido a Ele, Deus será tudo em todos”, 1 Cor 15,28)
É da nossa fé afirmar que cada ser humano que vem a este mundo está vocacionado a ser Povo de Deus. Não vem para uma aventura individual, senão comunitária (LG 9... Deus salva como Povo), no mesmo dinamismo das pessoas da Trindade Santa. Unidade sem uniformidade. Diferenças sem dependências de inferioridade.
É um Povo exuberante nas suas diversidades de dons recebidos (LG 12), conquistas, criatividades e diferentes maneiras de seguir as inspirações divinas. Esse pluralismo, não divide, mas enriquece a comunidade. As diferenças não são ameaças, senão graças. “A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos (! Cor 12,7). Os dons devem ser discernidos e integrados na missão do conjunto eclesial. É o que entendemos pela comunhão peregrinante dos santos, em caminho.
O Povo de Deus é peregrino. Completa seus conhecimentos no próprio exercício da sua missão. Purifica-se aprendendo de seus próprios erros.
Essa comunidade já não se apresenta como Sociedade Perfeita (nunca o fomos). É um povo que caminha. Juntos caminhando, descobrem que o Senhor está também nesse mesmo caminhar.
+ O Concilio foi um divisor de águas. Saiu da mentalidade pastoral da Idade Média, e configura um modelo eclesial diferente: Em vez de patriarcal, machista, rural, piramidal, centralizador, clerical, monárquico, devocional, sacramentalista.. é um modelo de diáspora (pátio dos gentios), participativo, missionário, tendo os pobres como sujeitos, é pluralista, missionário e age como fermento no meio da massa, não fora dela.
+ Também as cEBs são um lugar privilegiado para recuperar-se o sentido de ser Povo de Deus, primeiro porque nelas se aprende a metodologia de ver, pensar, agir, avaliar, celebrar, como comunidade e constantemente.
As cEBs só sobrevivem na sua força evangélica, se estão enraizadas na Palavra de Deus e em contato direto com as pessoas, criando condições para que não existam processos “bancários” (no sentido de Freire, os que sabem e fazem discursos e os que não sabem e só escutam), mas todos são sujeitos.
1. Aqui vão 15 pensamentos de Freire: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, as pessoas se educam entre si, mediatizados pelo mundo.
2. Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos.
3. É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.
4. Mudar é difícil, mas é possível.
5. Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.
6. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.
7. Não é possível revisar um país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor.
8. Educar e educar-se, na prática da liberdade.
9. O mundo não é, o mundo está sendo.
Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero.
10. Continuamos aprendendo durante toda a vida. Somos seres inacabados.
11. Aprender não é acumular conhecimentos, é aprender a pensar a realidade e transformá-la.
12. É cada sujeito que aprende, não o coletivo.
13. .O aprendiz tem que ter auto-estima, senão não aprende.
14. .A essência da ética do mercado (neo- liberal) é para que as pessoas deixem de sonhar... – Só este mundo é possível!
15. .A educação é política. Relativiza o mundo e as estruturas existentes.
Parte segunda- Justiça e Profecia. CEBs
1. A humanidade é a nossa família. Tudo o que acontece é do nosso interesse, principalmente o que toca direta ou indiretamente aos mais vulneráveis. O arcebispo Oscar Romeiro repetia: - “Numa das mãos a Bíblia e na outra, o jornal, para poder falar de Deus hoje!”; Henrique Angelelli que dizia: “Um ouvido no evangelho e outro no povo”.
O Padre .Ricardo Lombardi rezava diariamente diante do Mapa do mundo, colocando diante de si e de Deus, a situação da humanidade: guerras, fome, migrações, luxo, poder militar e igrejas imponentes, muitas vezes ocupadas com liturgias imponentes e prolongadas.
2. A comunidade de base, sem anular a importância da visão global, deve começar seu compromisso profético concentrando-se nos mais próximos a quem podemos chegar diretamente e comprovar os fatos, privilegiando contatos diretos. Tratar sempre dos problemas mais universais, fora, do alcance dos presentes, deixa um sabor de incapacidade e inutilidade dos esforços de transformação da realidade. A anciã abandonada; o moribundo na sua lenta agonia; com sofrimento intolerável... O jovem, antes forte e decidido, agora embrutecido pela droga e pelo álcool... antes era uma inteligência brilhante e agora farrapos sem rumo nem destino... A mocinha, que deveria sonhar, agora arrasta sua existência e no seu rosto se reflete já o fastio de viver, agora pinta os lábios e encurta o vestido saindo para vender seu corpo... O garotinho, no calor do dia, tendo como companheiro um cachorro vira-latas, me oferecia seu jornal e carregava sua miserável caixinha de doces sem vender, dormia na porta da rodoviária, tiritando de frio, sobre uns cartões, coberto por jornais velhos.... Por todo lado, a injustiça, a corrupção, a exploração dos mais frágeis... os prepotentes enriquecendo-se a custa dos ignorantes e dos pobres, dos carentes de recursos para defender seus direitos...
3. De tudo o que se vai recebendo: filmes, novelas, acontecimentos, propostas, se deve discernir: a) Em que estamos de acordo, b) que não está claro, c) que decididamente não podemos aceitar. Por quê? d) Quais atitudes, propostas, ideias, frases que se chocaram com a nossa fé. e) Diante disso tudo, que atitudes devemos tomar, quando, onde, quem, que, como, com que meios, com qual estratégia?
É importante estabelecer qual o eixo de valores que perpassa todos estes espaços.
4. Apoiar iniciativas positivas, que existem em todos os ramos de atividades humanas. Identificar processos alternativos, mesmo que ainda estejam dando só os seus primeiros passos. Frei Betto, em “Típicos tipos”, pag. 223 declara: “O Brasil não conhece o Brasil . Nenhum outro país da América Latina, a exceção de Cuba, alcançou o nível de organização popular que existe hoje no Brasil. Uma imensa malha de movimentos sociais espalha-se pelo território nacional. A Central de movimentos populares articula centenas deles. A Central única dos Trabalhadores representa vinte milhões de trabalhadores. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, gira a roda da vida em 1.500 assentamentos”.
5. Atribuir à intervenções diabólicas as dificuldades e desastres, é fazer propaganda gratuita aos espíritos do mal (ficam muito agradecido pela consideração).
6. Evitar comentar ingenuamente os problemas ou crises, sem um conhecimento mais completo do assunto, ou sem uma documentação competente da matéria.
7. Ainda é importante resgatar a teoria e a prática de Paulo Freire, para arrancar o povo brasileiro da ilusão das elites, do medo do poder, da indolência frente a um futuro que pode e deve ser transformado, já que o presente só é muito bom para aqueles que têm pavor de Paulo Freire .
8. A Igreja católica, no seu conjunto, não é profética. As CEBs não vivem no ritmo profético dos encontros nacionais e regionais. Não se trata de insistir só no específico político da luta pela justiça, mas no conjunto da presença cristã de uma comunidade na base. Ela tem que ser profética nas horas de oração, de encontro com a Palavra de Deus, nas reuniões pastorais, nas celebrações litúrgicas... Profética, quer dizer: anuncia, denuncia, convoca, transforma, persevera. Deve-se perguntar se a vida das CEBs, ao longo dos anos, tem convocado para um modo profético de ser Igreja, de ser pessoa no seu ambiente, não somente nas denuncias de alcance internacional?
9. Se a proposta profética é valida, como é viável e perseverante, na realidade onde se vive? Uma pergunta de atualidade comprova o que estamos buscando questionar: - As CEBs estão sendo evangelicamente atrativas aos jovens (não tanto aos adolescentes)? Quais jovens?
O profetismo hoje aparece mais fora das estruturas religiosas e também das CEBs. Pode acontecer que tudo que está fora do nosso âmbito específico, nem sempre identificamos como profético e de Deus, porque se expressa com linguagem e ações diferentes das que estamos acostumados.
10. Reconhecer, valorizar, divulgar heróis da humanidade e particularmente do próprio ambiente. Todos necessitam de exemplos estimulantes no campo da justiça, da paz e do bem comum. Existem muitos mártires, não só nas Igrejas, como na sociedade humana.
O Padre .Ricardo Lombardi rezava diariamente diante do Mapa do mundo, colocando diante de si e de Deus, a situação da humanidade: guerras, fome, migrações, luxo, poder militar e igrejas imponentes, muitas vezes ocupadas com liturgias imponentes e prolongadas.
2. A comunidade de base, sem anular a importância da visão global, deve começar seu compromisso profético concentrando-se nos mais próximos a quem podemos chegar diretamente e comprovar os fatos, privilegiando contatos diretos. Tratar sempre dos problemas mais universais, fora, do alcance dos presentes, deixa um sabor de incapacidade e inutilidade dos esforços de transformação da realidade. A anciã abandonada; o moribundo na sua lenta agonia; com sofrimento intolerável... O jovem, antes forte e decidido, agora embrutecido pela droga e pelo álcool... antes era uma inteligência brilhante e agora farrapos sem rumo nem destino... A mocinha, que deveria sonhar, agora arrasta sua existência e no seu rosto se reflete já o fastio de viver, agora pinta os lábios e encurta o vestido saindo para vender seu corpo... O garotinho, no calor do dia, tendo como companheiro um cachorro vira-latas, me oferecia seu jornal e carregava sua miserável caixinha de doces sem vender, dormia na porta da rodoviária, tiritando de frio, sobre uns cartões, coberto por jornais velhos.... Por todo lado, a injustiça, a corrupção, a exploração dos mais frágeis... os prepotentes enriquecendo-se a custa dos ignorantes e dos pobres, dos carentes de recursos para defender seus direitos...
3. De tudo o que se vai recebendo: filmes, novelas, acontecimentos, propostas, se deve discernir: a) Em que estamos de acordo, b) que não está claro, c) que decididamente não podemos aceitar. Por quê? d) Quais atitudes, propostas, ideias, frases que se chocaram com a nossa fé. e) Diante disso tudo, que atitudes devemos tomar, quando, onde, quem, que, como, com que meios, com qual estratégia?
É importante estabelecer qual o eixo de valores que perpassa todos estes espaços.
4. Apoiar iniciativas positivas, que existem em todos os ramos de atividades humanas. Identificar processos alternativos, mesmo que ainda estejam dando só os seus primeiros passos. Frei Betto, em “Típicos tipos”, pag. 223 declara: “O Brasil não conhece o Brasil . Nenhum outro país da América Latina, a exceção de Cuba, alcançou o nível de organização popular que existe hoje no Brasil. Uma imensa malha de movimentos sociais espalha-se pelo território nacional. A Central de movimentos populares articula centenas deles. A Central única dos Trabalhadores representa vinte milhões de trabalhadores. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, gira a roda da vida em 1.500 assentamentos”.
5. Atribuir à intervenções diabólicas as dificuldades e desastres, é fazer propaganda gratuita aos espíritos do mal (ficam muito agradecido pela consideração).
6. Evitar comentar ingenuamente os problemas ou crises, sem um conhecimento mais completo do assunto, ou sem uma documentação competente da matéria.
7. Ainda é importante resgatar a teoria e a prática de Paulo Freire, para arrancar o povo brasileiro da ilusão das elites, do medo do poder, da indolência frente a um futuro que pode e deve ser transformado, já que o presente só é muito bom para aqueles que têm pavor de Paulo Freire .
8. A Igreja católica, no seu conjunto, não é profética. As CEBs não vivem no ritmo profético dos encontros nacionais e regionais. Não se trata de insistir só no específico político da luta pela justiça, mas no conjunto da presença cristã de uma comunidade na base. Ela tem que ser profética nas horas de oração, de encontro com a Palavra de Deus, nas reuniões pastorais, nas celebrações litúrgicas... Profética, quer dizer: anuncia, denuncia, convoca, transforma, persevera. Deve-se perguntar se a vida das CEBs, ao longo dos anos, tem convocado para um modo profético de ser Igreja, de ser pessoa no seu ambiente, não somente nas denuncias de alcance internacional?
9. Se a proposta profética é valida, como é viável e perseverante, na realidade onde se vive? Uma pergunta de atualidade comprova o que estamos buscando questionar: - As CEBs estão sendo evangelicamente atrativas aos jovens (não tanto aos adolescentes)? Quais jovens?
O profetismo hoje aparece mais fora das estruturas religiosas e também das CEBs. Pode acontecer que tudo que está fora do nosso âmbito específico, nem sempre identificamos como profético e de Deus, porque se expressa com linguagem e ações diferentes das que estamos acostumados.
10. Reconhecer, valorizar, divulgar heróis da humanidade e particularmente do próprio ambiente. Todos necessitam de exemplos estimulantes no campo da justiça, da paz e do bem comum. Existem muitos mártires, não só nas Igrejas, como na sociedade humana.
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